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Nas quatro semanas e seguindo sua première de sucesso no Pallas Theatre, em Atenas, o surpreendente filme El Greco atraiu 590.000 espectadores. A co-produção grega, espanhola e húngara é uma adaptação de Greco: El Pintor de Dios, a novela biográfica de Dimitris Siatopoulos sobre a vida de Doménicos Theotokópoulos. Theotokópoulos, nascido em Creta, foi conhecido principalmente pela alcunha de El Greco, um influente artista do século 16 e resoluto lutador pela liberdade.
Enquanto El Greco espera seu julgamento na prisão, depois de ter violado as regras da Inquisição Espanhola, sua potente história de heroísmo, rebelião, poder e amor, é descrita em flashbacks com diálogos em inglês, grego e espanhol. A maior produção grega em anos recentes, se traslada ao ano de 1566 em Creta onde Theotokópoulos (interpretado por Nick Ashdon) sucumbe às atrações de Francesca (Dimitra Matsouka), a bela filha do governador veneziano da ilha grega. Depois que seu rebelde pai fracassa sufocando a insurreição dos invasores venezianos, o artista foge para Veneza em busca de liberdade, lugar onde recebe o apodo de El Greco. Ali se torna aprendiz de Ticiano, renomado artista da escola veneziana e pintor mestre do Renascimento Italiano. Fernando Niño de Guevaro, um jovem e veemente sacerdote espanhol, alenta El Greco a se radicar em Toledo onde conhece Jerónima de las Cuevas, a filha de um nobre rico, que lhe dá um filho. Não obstante, ele progressivamente começa a entrar em conflito com a Inquisição Espanhola e com o jovem sacerdote, que, posteriormente, não somente se converte em cardeal, mas, também em seu maior adversário.
O diretor de fotografia Aris Stavrou (The Cherry Orchard e Beautiful People) usou uma câmera ARRI 535 através dos dois meses de filmagem. Se esforçou para iluminar o rosto dos atores da mesma forma que estes aparecem iluminados nas enfeitiçantes pinturas de El Greco, com sua dramática interpretação da escuridão e da luz. “Primeiro de tudo, eu queria evitar qualquer sensação de iluminação de estúdio”, comenta. “Usei fontes de iluminação direta, mas difusa, como se estivesse tratando a luz como um pincel grande carregado de cores. Também fui muito cuidadoso para evitar as sombras diretas. Este método possibilitou ao operador da Steadicam, Michalis Tsimberopoulos e aos atores, a oportunidade de poderem ser mover livremente sem se preocupar com a iluminação. De fato, aproximadamente três quartos do filme foram filmados com a Steadicam. Obviamente, o objetivo principal, do princípio ao fim, foi permanecer o mais fiel possível às pinturas de El Greco”.
Medindo a luz
Stavrou armou todas as cenas a olho para poder lograr alcançar o efeito adequado. “Não andava de um lado para outro, medindo a luz aqui e ali, já que muitas cenas tinham uma latitude de até 4 pontos de diafragma”, comenta. O DF usou os materiais KODAK VISION2 500T 5218 e KODAK VISION2 250D. “Estes filmes me permitiram assumir riscos extremos durante o transcorrer do curso da filmagem, sem ter que me preocupar com qualquer surpresa desagradável. Foi o cinto de segurança que me deu a completa liberdade e me ajudou a assegurar que tudo estava sob controle ao longo das tomadas”.
Qual foi a cena mais exigente e difícil para iluminar e filmar em El Greco? “Foi, indubitavelmente, a cena da Inquisição, particularmente a tomada com grande angular dos inquisidores que estavam sentados em trono da mesa, ao fundo da sala”, responde Stavrou. “O céu era de 50 pés de altura e o extenso salão, por outro lado, estava totalmente vazio, por isso, não foi fácil esconder as luzes. Também era um lugar histórico, rigorosamente controlado, o que implicava que qualquer tipo de intervenção estava fora de questão. Ao final, iluminamos os inquisidores com uma única HMI escondida por trás de um raio de luz acima da mesa: por outro lado, a cena estava iluminada por chamas a gás ao nível do piso”.
Stavrou não usou qualquer filtro na câmera, mas, em algumas cenas filtrou as fontes de luz com um pano colorido de algodão. Ele filmou a maioria das cenas externas com a luz dura do sol de Creta, enquanto que o alto nível da umidade no principado da Catalunha na Espanha criou um ambiente mais compassivo nas cenas em interiores
O diretor, oriundo de Creta, Iannis Smaragdis (Kavafis, To tragoudi tis epistrofis (Homecoming Song)), nasceu em Heraclion, a um pouco mais de 300 m da casa de El Greco. “Toda a civilização grega está baseada na luz”, ele exclama. “O trabalho de nossos poetas – desde Homero a George Seferis e Odysseus Elytis, ambos ganhadores do Premio Nobel de Poesia, são um estudo da luz. De maneira similar a todas as estátuas gregas e o Partenon, foram construídos para absorver – e, ao mesmo tempo, refletir – luz nas pessoas”.
O 'espírito' do filme
“Com os filmes épicos, o principal problema é criar a atmosfera do período relevante, entretanto, com El Greco, Aris Stavrou teve pleno conhecimento e compreensão das técnicas de iluminação requeridas. Também conduzimos testes de câmera em cooperação com o laboratório, para que, nossa escolha dos filtros e materiais de filmes, mais nossos requisitos de pós-produção pudessem ser estabelecidos. Entretanto, acredito que nenhum destes elementos poderia ter funcionado bem se o espírito filme tivesse faltado. Se foi encontrado ou não, isto é desconhecido para os realizadores antes de começar a filmar; somente o deus do cinema sabe! Mas, penso que não há um diretor em todo o mundo (com relação a isto) que não reconheça que os materiais de filmes da Kodak são a melhor maneira para ver seus sonhos plasmados em película”.
“A primeira coisa que aprendi de El Greco é o que se sente cooperar com equipes formadas de pessoas de outras partes do mundo”, continua Smaragdis. “Esta experiência foi muito valiosa e creio que o futuro da humanidade descansa na ampla cooperação entre as pessoas. Os Estados Unidos atualmente estão a sete horas de avião até a Grécia, Madrid está a três horas, e Londres a quatro, enquanto que se alguém quer viajar para Creta levará muitas horas por barco. Meu filme anterior, Kavafis, tratava sobre o famoso poeta grego Konstantinos Kavafis, cujo poema Ithaca foi lido no funeral de Jackie Kennedy, seguindo seus desejos. De acordo com este poema, a parte mais importante da vida é a 'bela viagem'. Isto é exatamente o que obtive ao realizar El Greco. Uma bela viagem”.
Tal é a importância deste filme na Grécia que na première o filme foi assistido por Sua Majestade a Rainha Sofía da Espanha, Karolos Papoulias, Presidente da República Helênica, e muitos outros ministros de alto escalão. Entre outros assistentes estavam Jack Lang, o produtor espanhol; Raimon Masllorens, o co-produtor húngaro; Dénes Szekeres, diretor financeiro da Motion Picture Public Foundation da Hungria, e Evangelos Odysseas Papathanassiou, mais conhecido como Vangelis, o compositor da comovente música do filme. El Greco tem sido, desde então, galardoado com oito prêmios no Festival de Cinema de Thessaloniki 2007, incluindo de Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, e Melhor Música. Também foi escolhido como Melhor Filme pelo público do festival e premiado como Melhor Filme pela União Grega de Técnicos de Cinema e Televisão.
Uma produção da Audio Visual Entertainment, El Greco foi co-produzido por Alexandros Film, La Productora, Tivoli, Greek Film Centre, ERT, Nova, Le Spot e Max Productions. Entre os patrocinadores, em Creta, estiveram Maris Hotels, Minoan Lines, TEDK Association of Heraklion, Spar-Veropoulos, Hellas Net, Tourist Services, Grecotel, George Siganos, Cretan Plastic, Peripheral Fund of Crete, Chamber of Industry, Hert, Apollonia Hotel, Hotel Fovele e Diophar. O filme também recebeu o apoio do programa MEDIA II da União Européia. |