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Entrevistas OnFilm

Uta Briesewitz
Foto: D. Kirkland |
“Sempre me senti fascinada e inspirada por imagens.
Meus pais me ensinaram desde criança a apreciar
as artes transformando a maioria de nossas férias
familiares na Europa em excursões culturais.
Tenho belas recordações de estar sentada
em campos de trigo com meu pai, fazendo esboços
e pintando paisagens. Isto me ensinou a observar a luz
e como ela se altera durante o dia, assim como compor
uma imagem. Depois de terminar a escola comecei a trabalhar
como estagiária em uma produtora de televisão.
Um dia colocaram uma câmera sobre meu ombro, subimos
num helicóptero e me fizeram cobrir uma corrida
de automóveis. Depois disso, fiquei uma especialista.
Uma das coisas que gosto na minha profissão é
que participo de ambientes e situações
que nunca experimentaria no mundo real. É inspirador
fazer coisas novas e forçar a mim mesma para
obter as imagens adequadas. Gosto de desafiar a mim
mesma. Um momento de felicidade verdadeira é
olhar através da lente e ver que tudo que cada
um fez agora está integrado”.
Uta Briesewitz nasceu e foi criada em uma pequena
região industrial da Alemanha. Ela estudou na
Academia de Cinema de Berlim e no American Film Institute.
Entre seus créditos estão incluídos
os longa-metragens independentes Next Stop Wonderland,
Seven and a Match, Session 9, XX/XY and The
TV Set, filmes para televisão e os pilotos
Homeless to Harvard, Life Support
e John From Cincinnati, a minisérie
Thief, o piloto e as duas primeiras temporadas
de The Wire, junto do longa-metragem Walk
Hard.
[Todos estes filmes foram filmados em filme cinematográfico/película
Kodak]
Uma conversa com Uta Briesewitz por Bob Fisher
PERGUNTA: Onde a Sra. Nasceu e foi
criada?
BRIESEWITZ: Nasci e cresci em Leverkusen,
uma pequena cidade industrial perto de Colônia
na região de Rhin, Alemanha. Meu pai foi arquiteto
e se aposentou como funcionário do governo. Ele
se dedicou principalmente ao planejamento de aeroportos.
Minha mãe foi professora de meio período
enquanto criava 3 filhos. Ela realmente gostava de ensinar.
PERGUNTA: Quando e como a Sra. se
interessou pelo cinema?
BRIESEWITZ: Meu pai apoiou minha paixão
pela pintura e desenho desde quando era muito jovem.
Lembro-me como deitávamos sobre a campina durante
as férias de verão fazendo esboços
de moinhos de vento e outras coisas juntos. Era uma
coisa entre filha e pai, que podíamos fazer juntos.
Houve um ponto a considerar ao estudar pintura e transformar-me
em uma artista, que foi minha preocupação
sobre o isolamento que gera esta profissão, considerando
que gosto de trabalhar com pessoas. O filme era um meio
visual que me fascinava. Em certo momento, decidi que
o cinema era o caminho adequado a seguir.
PERGUNTA: Existe algum fotógrafo
ou cineasta em sua família?
BRIESEWITZ: O passatempo de meu avô
era a fotografia. Ele tinha um olho maravilhoso. Suas
fotos eram absolutamente requintadas. Minha irmã
e eu éramos geralmente seus objetos, mas eu era
muito relutante. Tinha muita vergonha de posar na frente
da câmera. Quando tirava fotos de outras pessoas,
notei que quando apontava a câmera em sua direção
elas mudavam suas condutas. Senti que isto não
era verídico, por isso comecei a tirar fotos
das pessoas, quando não estavam cientes da presença
da câmera, para poder, assim, capturar momentos
verdadeiros. Não gosto que as pessoas posem,
por isto é que atualmente tenho uma atitude muito
mais relaxada considerando que tenho que fazer isto
bem.
PERGUNTA: Quando a Sra. se tornou
adulta era admiradora de filmes?
BRIESEWITZ: Havia somente uma sala
de cinema a uma hora e meia de automóvel de minha
casa, e não tive automóvel até
que completei 18 anos de idade. Mas, a televisão
alemã era muito boa. Foi fundada pelo governo
antes das redes privadas chegarem à televisão.
Havia documentários sobre a África, cinema
novo da Itália e da França, e Fassbinder
e outros estavam fazendo grandes filmes alemães
para a televisão. Lembro como fiquei encantada
com Truffaut quando fiquei adulta.
PERGUNTA:Quando a Sra. tomou consciência
do papel que desempenavam os diretores de fotografia?
BRIESEWITZ: Quando era criança
estava lendo um livro e a primeira coisa que fiz foi
abri-lo e ver as imagens. Se não houvesse imagens
eu achava que não era um bom livro e, na maioria
das vezes, acabava não lendo. Lembro-me quando
tive que ler “A Montanha Mágica”
de Thomas Mann. Era uma novela colossal, mas, muito
próximo do final, havia uma imagem em branco
e preto que correspondia a um edifício que era
o sanatório. A imagem foi minha recompensa. Não
vi imagens até não ter lido o livro inteiro.
Era uma novela maravilhosa. Meus pais também
nos levavam aos museus fazendo com que despertássemos
prematuramente o interesse pela arte. Comecei a ficar
fascinada com o feito de fazer filmes e, um dia, me
dei conta que respondia principalmente às imagens.
PERGUNTA: A Sra era fotógrafa
como seu avô?
BRIESEWITZ: Estava mais interessada
na pintura. Comecei a tirar fotografias posteriormente.
PERGUNTA: A Sra. se matriculou em
uma escola de cinema e optou por uma educação
mais tradicional?
BRIESEWITZ: Estudei quatro anos na
Academia de Cinema de Berlim. Quando me candidatei havia
entre 600 e 800 candidatos por ano. Escolhiam 40 candidatos
e tinham que prestar exames durante uma semana na escola.
Tínhamos que escrever uma história curta,
filmar um curta-metragem, e fazer cosas desse tipo.
Os professores e juízes selecionaram ao final
19 estudantes.
PERGUNTA: Este curta-metragem foi
seu primeiro filme?
BRIESEWITZ: Foi meu primeiro curta-metragem
filmado em preto e branco no formato Super 8mm, mas
já havia filmado alguns vídeos para uma
produtora de televisão de Colônia, onde
comecei a fazer estágio antes de ir para Berlim.
Quando me candidatei para fazer o estágio, me
disseram que nunca haviam tido um estagiário
antes. Na verdade, não sabiam o que fazer comigo.
Os estágios não eram comuns na Alemanha
e não havia muitas indústrias de cinema
para começar. Mandaram eu fazer café,
mas me aborreci com o tempo e tentei fazer algo útil.
Comecei a trabalhar com um computador gráfico
novo. Já que contava com conhecimentos de pintura,
pensei que poderia aplicar meus talentos neste caso.
Em algumas semanas, me transformei na pessoa responsável
pela criação gráfica computacional
para a cobertura dos Jogos Olímpicos. Basta dizer
que depois de que compreenderam que me poderiam empregar
para isso, me contrataram no ato.
PERGUNTA:Como a Sra. Passou do desenho
gráfico por computador para filmar vídeo?
BRIESEWITZ: Um dia, estavam com falta
de operadores de câmeras, enquanto estavam cobrindo
uma corrida de automóveis. O chefe disse que
se eu podia fazer desenho gráfico por computador
então eu também poderia ter uma câmera
sobre meus ombros, subir num helicóptero e filmar.
Quando voltei com meu filme, as pessoas que estavam
editando para a rede disseram que o que eu tinha filmado
obviamente tinha sido feito pelo operador de câmera
chefe. Meu chefe apontou para mim e disse 'Não,
isto foi filmado por nossa primeira estagiária
e esta foi sua primeira vez' Depois disso fui escalada
para trabalhar em tudo o que era filmado para a televisão.
Cobri todos os principais eventos desportivos¬ –
a liga de futebol alemã, os torneios de tênis,
as partidas de golfe, hóquei sobre gelo, corridas
de automóveis e de motos. Filmava tudo. Era uma
boa operadora de câmera, por isso me puseram nesta
lente grande angular e câmera lenta para as transmissões
ao vivo.
PERGUNTA: Era tudo esportes ou a
Sra. cobriu outras coisas também?
BRIESEWITZ: Também cobri muitos
shows de divertimento e de entrevistas. Esta experiência
em transmissões ao vivo realmente me ajudou a
aprender a manter-me atenta. Aprendi sobre como enquadrar
a linha dos olhos realmente rapidamente durante uma
transmissão ao vivo e como apoiar sobre as tomadas
com a câmera nos ombros. Também cobri alguns
curtas-metragens para shows de revistas de notícias
que me ensinaram outras lições valiosas.
PERGUNTA: Que tipo de lições?
BRIESEWITZ:Ensinaram-me a estar preparado
quando ocorrerem coisas inesperadas. Como mencionei
antes, às vezes, quando aponta a câmera
para alguém, a própria pessoa se dá
conta completamente, como se estivesse abrindo uma comporta.
Ela pode ser muito emotiva. Outras pessoas se disfarçam
automaticamente, de modo que nunca você consegue
chegar a este momento da verdade. Aprendi a como contar
histórias com as imagens, e como filmar para
que o que foi gravado possa ser bem editado.
PERGUNTA: Por que a Sra. Emigrou
para os Estados Unidos?
BRIESEWITZ: Senti que não me
encaixava na escola de cinema de Berlim. Também
ainda estava trabalhando como operador de câmera.
As produtoras continuavam a fazer ofertas para eu voar
para Colônia para cobrir competições
desportivas e outros tipos de eventos. Foi maravilhoso,
porque podia voltar para casa para ver minha família
nos fins de semana. Também ganhei dinheiro suficiente
para pagar meu aluguel, mas me dei conta de que necessitava
mais do que um trabalho cômodo e, isto poderia
ser um beco sem saída ou inclusive uma armadilha.
Compreendi que, para não ficar estacionado sendo
um operador de câmera de TV, teria que deixar
tudo para trás. Teria que deixar a Alemanha.
PERGUNTA: O que a Sra. fez?
BRIESEWITZ: Alguém me falou
sobre o Instituto de Cinema Americano (American Film
Institute). Candidatei-me, fui aceita e fiquei encantada
desde o primeiro dia. A escola de Berlim se especializava
na direção, mas sempre filmei meus próprios
filmes. Candidatei-me em 1994 a ambos programas, de
direção e de cinematografia (diretor de
fotografia). Fui aceita em cinematografia. Isso não
foi problema para mim. Estava encantada com a cinematografia
r realmente queria ir para a América. Disse para
mim mesma, talvez o destino tenha tomado uma decisão
por mim. Talvez a cinematografia seja meu caminho. Olhando
para trás, estava muito agradecida que o AFI
tenha tomado a decisão por mim.
PERGUNTA: A Sra. conhecia alguém
nos Estados Unidos?
BRIESEWITZ: Meu irmão já
havia estado na América durante muitos anos.
Ele era estudante de biologia na Columbia University
e, posteriormente, foi para Stanford para obter seu
doutorado. Soube de sua experiência positiva.
Minha irmã que havia recém mudado com
seu marido para Chicago, onde ele havia sido solicitado
para freqüentar o Instituto de Arte de Chicago
(Chicago Art Institute). Senti-me mal por nossos pais,
já que todos, de algum modo, havíamos
terminado na América. Também havia aprendido
a falar inglês no colégio.
PERGUNTA:Quais foram alguns de seus
mentores que a Sra. conheceu no AFI?
BRIESEWITZ: Estava tão impressionada,
porque muitos dos grandes nomes participaram de workshops.
Estava simplesmente impressionada que estes renomados
diretores de fotografia estivessem disponíveis
para falar com os estudantes. Lembro-me de ter estado
pasmado quando tivemos Roger Deakins (ASC, BSC) e Owen
Roizman (ASC). Também recordo ter visitado algumas
casas de aluguel de câmeras, onde nos recebiam
com café e biscoitos e nos tratavam com um respeito
como se fossemos alguém famoso e não simples
estudantes que queriam obter alguma coisa grátis.
Foi incrivelmente estimulante que nos levaram a sério.
PERGUNTA:Quais foram seus outros
mentores?
BRIESEWITZ: Denise Brassard foi uma
de nossas professoras. Ela sempre esteve disponível
e foi maravilhosa com a gente. Bob Primes (ASC) avaliou
o primeiro projeto que apresentei em classe. Depois
disso, me olhou nos olhos e disse 'Você nunca
terá que se preocupar com alguma coisa.' Perguntei-lhe
o que significava isso, e ele foi muito lisonjeiro.
Russ Carpenter (ASC) deu um workshop sobre o Titanic.
Lembro-me estar sentada com meus companheiros que tomavam
notas sobre como ele iluminou o Titanic? Estava
mais interessada em escutar porque ele fez isto do que
como ele fez. Por este tempo, qualquer um de nós
contava com a oportunidade de filmar um filme como Titanic,
e era muito provável que resolveríamos
por nos mesmos.
PERGUNTA: Conseguiram filmar alguns
projetos para diretores estudantes?
BRIESEWITZ: Trabalhei em grupo com
diretores que tinham diferentes maneiras de pensar,
o que foi uma grande preparação para o
mundo real.
PERGUNTA: Quais filmes independentes
a Sra. filmou?
BRIESEWITZ: Filmei Next Stop Wonderland
quando ainda estava no segundo ano do AFI. Um amigo
de meu pai, que fora um diretor de teatro em Boston,
entregou o filme a Brad Anderson, o diretor, meu pequeno
conjunto de rolo de filme no AFI. Senti-me envergonhada
por isto, mas Brad gosto do que viu e convidou-me para
uma reunião. Disse-me que queria um look tipo
documentário. Havia filmado certos documentários
por este tempo. Um foi com Anne Makepeace chamado Baby,
It's You. Era sobre sua tentativa de ter um bebê
no final dos 40 anos. Return of the Eagle foi um documentário
sobre a American Bald Eagle. Havia outros poucos mais.
PERGUNTA: O que a Sra. fez depois
de ter se formado no AFI?
BRIESEWITZ: Esta é uma longa
história. Todos nos sentíamos tão
especiais no AFI, e de repente, você se forma
e entra em um mundo completamente novo. Vi meus companheiros
começar a trabalhar como assistentes de câmera
e eletricistas, mas eu era muito teimosa, já
que tinha trabalhado como diretora de fotografia na
Alemanha. Não podia reconhecer-me a mim mesma
como uma verdadeira diretora de fotografia neste momento.
Era mais natural ser uma operadora de câmera.
Não foi fácil recomeçar nos E.U.A,
já que ganhava muito menos dinheiro por ano do
que quando tinha 19 ou 20 anos na Alemanha. Lembro-me
ter visto um discurso político onde dizia que
uma garçonete na América ganhava $24.000
por ano, e eu apenas sobrevivia neste tempo, pensando
que era muito dinheiro! Assim que não sabia exatamente
como tomar esse comentário, já que eu
ganhava muito menos que uma garçonete. A televisão
alemã me procurou em Los Angeles para produzir,
filmar e dirigir alguns pequenos documentários
para eles, o que me gerou uma renda adicional nestes
anos. Entretanto, não queria continuar neste
caminho.
PERGUNTA: O que aconteceu com Next
Stop Wonderland?
BRIESEWITZ: Foi exibido no Sundance
e foi distribuído pela Miramax. Verdadeiramente
esperava que minha carreira tivesse um impulso depois
disso, mas nada disso ocorreu. Três agencias estiveram
interessadas em se reunir comigo posteriormente. Uma
assinou comigo, mas não consegui outro filme
até oito meses depois, o que foi muito desilusionador.
Anos depois, Session 9, meu segundo filme
com o diretor Brad Anderson foi publicado. Tive amigos
que me chamaram e me felicitaram sobre como estava indo
bem. No entanto pensava, será que sabiam que
estou completamente arruinada? Pela primeira vez em
minha vida, tive que chamar meu irmão e pedir-lhe
se poderia pagar meu aluguel. Lembro-me de estar pensando
que talvez estivesse perseguindo um sonho que nunca
iria ocorrer.
PERGUNTA: Que outras lembranças
a Sra. Tem desta época?
BRIESEWITZ: Definitivamente passei
um período negro em relação ao
desemprego, onde você se pergunta se alguma vez
você voltará a fazer alguma coisa. Tive
oportunidades de filmar alguns filmes independentes
em que não pagavam muito. Em geral, conseguia
um filme independente por ano, se tivesse sorte, ou
talvez dois. Desta maneira, leva muito tempo para poder
construir seu currículo. E se o filme é
ruim, não importava se você tivesse filmado
ou não. Por isto passei por longos períodos
de desemprego entre os projetos, nunca sabendo realmente
quando iria vir o próximo trabalho ou nem se
viria. Isto me proporcionou uma valiosa perspectiva
do que é estar desempregado e como isto pode
paralisar suas ambições e, ao mesmo tempo,
se conscientizar de quem você era.
PERGUNTA: Entendemos que a Sra. se mudou para Brooklyn
por esta época. Por quê?
BRIESEWITZ: Minha irmã e seu marido espanhol,
que é um artista, haviam se mudado para Nova
York depois de ter estudado em Chicago. Estavam cansados
de suas condições de vida em seu apartamento
de Williamsburg e procuraram mudar para um apartamento
melhor do setor. Eu tinha visitado nesse apartamento
uma vez e ele disse-me que gostaria de saber se alguma
vez eu tinha pensado em mudar-me. Sabia que era difícil
encontrar um lugar em Brooklyn e que, de algum modo,
sempre havia tido esta idéia ingênua de
que teria sido grandioso viver em Nova York por um tempo
e retomar minha paixão pela pintura novamente.
Por isto, encarreguei-me de pagar seu aluguel quando
se mudaram. Durante este tempo, muita gente foi desalojada
de seus lofts por motivos de proteção
contra incêndios. Vivi com o mesmo temor. Todos
os ocupantes do edifício eram encontrados na
rua constantemente.
PERGUNTA: Quais foram alguns de seus
projetos durante este período?
BRIESEWITZ: Getting Personal foi um
filme independente produzido pelo produtor de linha
de Next Step Wonderland. Também filmei
um documentário sobre os ursos pardos chamado
Bear Wars, e outro documentário chamado
American Indians que também foi dirigido por
Anne Makepeace. Fiquei muito encantada em trabalhar
nestes filmes porque que me levou a conhecer todas as
tribos indígenas norte-americanas o que me proporcionou
uma perspectiva de suas tradições e cerimônias.
PERGUNTA: Parece que a Sra. estava
adquirindo muitas experiências diferentes.
BRIESEWITZ: Estava fazendo muitas coisas
diferentes. Também filmei um filme independente
chamado Seven and a Match que contava com um
orçamento de 100.000 dólares. Contava
com um elenco tremendo e ainda é um de meus filmes
favoritos. Nosso serviço de comida consistia
principalmente de doces M&M. Foi dirigido por Derek
Siminds que conheci em Sundance quando estava lá
por Next Step Wonderland. Ele estava sentado
perto de mim no teatro durante a exibição
e comentou que queria fazer um filme. Simplesmente ri
e disse, 'Todos querem dirigir um filme'. Não
sabia, neste momento, que ele era um escritor sério,
irmão de Brad Anderson. XX/XY foi outro
filme independente que fiz imediatamente após
mudar-me para Nova York. Foi dirigido por Austin Chick
com Mark Ruffalo como um dos protagonistas. Também
estive no filme de televisão chamado Homeless
to Harvard: The Liz Murray Story que foi dirigido
por Peter Levin, e obtive três indicações
para ao Emmy. Também filmei outro filme com Brad
Anderson que se chamou Session 9, o qual mencionei
anteriormente. Era um filme de horror psicológico
que se situava em um asilo de gente perturbada mentalmente
em Danvers perto de Boston. Também filmei um
filme em Louisana chamado Scoundrel's Wife
que foi dirigido por Glen Pitre. Depois deste filme,
recebi um telefonema de uma pessoa da Gersh Agency.
Ela estava interessada em ter uma reunião comigo.
Assinei com eles. Depois de alguns meses, mandaram-me
para uma entrevista para o piloto de uma nova série
de TV da HBO. Meu agente me advertiu que não
tivesse muitas ilusões. Estava perdendo as esperanças
quando meu agente me chamou, de novo, para dizer-me
que queriam que eu reunisse com o diretor Clark Jonson
e Bob Colesberry. Realmente ambos me agradaram com o
que disseram. Pensei que seria grandioso trabalhar com
estas pessoas. Aproximadamente dois dias depois, recebi
uma chamada telefônica de meu agente dizendo que
queriam que eu filmasse o piloto de The Wire.
PERGUNTA: Como foi essa experiência?
BRIESEWITZ: Uma das coisas que gosto
de minha profissão é que me coloca em
ambientes e situações que nunca teria
experimentado como turista ou como um espectador normal.
Filmei o piloto e as duas e meia primeiras temporadas
da série. The Wire explorou o lado obscuro
de Baltimore onde as pessoas caiam em armadilhas em
um círculo vicioso de abuso de drogas e crimes
violentos. Tivemos situações onde estávamos
em um lugar e uma equipe da S.W.A.T. estava a dois quarteirões
mais à frente limpando uma cena do crime ou onde
teríamos que parar de filmar por um momento porque
havia um franco-atirador no telhado. Dizia para mim
mesma, se tivesse sido o produtor, poderia ter dado
10 boas razões do porquê não teria
que contratar uma mulher jovem da Alemanha para filmar
um show como este. Pensei quão corajoso teria
que ser o produtor para dizer a HBO que queria contratar
esta jovem mulher, de quem nunca tinha ouvido falar
para filmar este show verdadeiramente atrofiante em
Baltimore. Deve ter sido uma luta para que me aprovassem.
Como disse anteriormente nesta discussão, o começo
de sua carreira dependerá das pessoas que estejam
dispostas a dar uma oportunidade para você triunfar
e uma opção para provar a si mesma. Robert
Colesberry me deu esta oportunidade. Sempre estarei
agradecida a ele.
PERGUNTA: Como The Wire
afetou sua carreira?
BRIESEWITZ: Desde o momento em que comecei a filmar
The Wire, minha perspectiva deu um giro completo.
Era a primeira vez que recebia um cheque por meu trabalho.
Enquanto estava filmando este show, disse para mim mesma
que estava em condições de ganhar a vida
fazendo o que gosto.
PERGUNTA: O que a Sra. Aprendeu ao
filmar The Wire?
BRIESEWITZ: Uma das coisas que aprendi
é que temos que ser realmente rápidos
na televisão para filmar episódios. Também
melhorei verdadeiramente nos cenários noturnos.
Às vezes, podíamos ter uma cena de noite
que era um oitavo de uma página, mas tínhamos
que filmar oito ou nove situações, devido
a que havia muitas histórias ou muitos personagens.
Aprendemos a iluminar rápido e a filmar de uma
maneira eficiente sem ter que sacrificar nossa visão.
PERGUNTA: A Sra. acha que sua experiência
em documentários ajudou-a?
BRIESEWITZ: Minha experiência
em documentários me ajudou a tomadar decisões
acerca de como iluminar para que parecesse uma forma
real. Aprendemos a perceber a luz natural em diferentes
horários e situações, ainda quando
a vida em geral ajuda-nos a ver isto. Observar a luz
natural torna mais fácil recriá-la. Isto
é importante, porque não há nada
mais belo que a luz natural. Os documentários
também podem nos ensinar sobre como colocar os
elementos (atores, câmeras, microfones, etc.),
como quando lembramos o comportamento das coisas na
vida real, sem seguir as normas comuns e podendo controlar
tudo, simplesmente tratamos de recrear uma realidade.
Com os filmes narrativos a nossa iluminação
tem que apoiar o drama da cena e tem que ser consistente.
O sol não fica parado, por isso temos que recriá-lo.
Filmar The Wire também me ensinou muito como
iluminar aos atores afro-americanos e seus diferentes
tons de pele.
PERGUNTA: A Sra. poderia ser mais
específica?
BRIESEWITZ: A luz reflete vários
tons de pele de forma diferente. Alguns atores praticamente
absorvem a luz e outros a refletem. Temos que iluminar
os rostos mais obscuros a partir de diferentes ângulos
e usar iluminação de fundo e de costas
que simplesmente acaricia suas bochechas. Também
trabalhei em The Wire com um magnífico
artista de maquiagem, Debi Young, que soube dar aos
rostos dos atores afro-americanos uma pinçada
de brilho para ajudar a refletir a luz belamente.
PERGUNTA: Seu interesse inicial na
pintura ajudou-a como diretora de fotografia?
BRIESEWITZ: Penso que minhas pinturas
me ajudarão principalmente com a composição
e a percepção da luz natural e como esta
varia ao longo do dia, as estações, e
em diferentes lugares, entretanto, o enquadramento é
inseparável da iluminação. Às
vezes, altero o enquadramento no último segundo,
quando vejo o ator fazendo algo diferente do que antecipamos.
Isto também afeta a iluminação.
Para mim, o momento verdadeiro de felicidade é
estar atrás da câmera com o filme rodando,
e podendo ver que tudo o que foi feito, cada um, se
integra. Sinto-me responsável pelas intenções
do diretor, atores e cada um dos departamentos de arte,
cabeleireiro e maquiagem para retratar seus trabalhos
ao máximo con mi cometido.
PERGUNTA: Como foi trabalhar com
diferentes diretores nos episódios de The
Wire?
BRIESEWITZ: Às vezes, é
realmente refrescante trabalhar com um diretor novo
a cada nove dias. Re-estimula a equipe. Em outras ocasiões,
é um tanto frustrante, porque terminamos um show
depois de um longo dia, e começamos o próximo
episódio com outro diretor, sem nenhuma ou muito
pouca preparação. O ritmo acelerado da
TV não deixa muito tempo para preocuparmos com
tudo. Simplesmente fazemos tudo funcionar.
PERGUNTA: Qual foi o enfoque visual
geral para filmar The Wire?
BRIESEWITZ: Bob Colesberry queria que
The Wire realmente tivesse um look o mais parecido
possível a um filme de longa-metragem. Também
ele ficava contente com a energia que se pode obter
ao mover a câmera. Normalmente, trabalhamos com
única câmera excetuando os dias em que
tínhamos cenas com 12 atores. Então usamos
uma segunda câmera para a cobertura. Em geral,
contávamos com dois dias, de um total de nove
para filmar, onde trabalhamos com duas câmeras.
A câmera usualmente era movida sobre trilhos.
Se necessitássemos de uma aproximação
(close-up), chegávamos com uma lente grande angular.
Nunca tivemos uma Steadicam. Tão pouco estavamos
preocupados em contar com as hitting marks, a menos
que um ator as quisesse. Isto, com certeza, tornou mais
difícil para meu primeiro assistente, mas, por
outro lado, deu liberdade para os atores. Não
tinham que se concentrar para alcançar certo
nível a não ser em suas atuações.
Se um ator bloqueava a um outro, simplesmente movíamos
a câmera, em vez de pedir ao ator para que se
movesse. Gosto de trabalhar desta forma, já que
creio que somente uma boa atuação gera
uma boa imagem.
PERGUNTA: Qual foi seu enfoque para
a iluminação?
BRIESEWITZ: Não foi um look
estilizado. Queríamos que se parecesse como algo
real, a cidade tem um resplendor laranja devido às
luzes de vapor de sódio que estão em todas
as ruas.
PERGUNTA: A Sra. teve a oportunidade
de filmar em preto e branco?
BRIESEWITZ: Filmei outro filme chamado
Walk Hard que foi dirigido por Jake Kasdan,
onde creamos un documentário simulado. Querían
varias escenas de un músico nos anos 60 com um
look de documentário em preto e branco. Filmei
com um negativo de cores de sensibilidade 500 no formato
16mm (KODAK VISION2 7218) que sub-expus em um ponto
e o forcei dois pontos para criar grão. Posteriormente,
de-saturamos na pós-produção. Isto
é o mais próximo ao preto e branco que
já tinha filmado, aparte de ter realizado alguns
trabalhos, como estudante, em preto e branco no formato
Super 8mm.
PERGUNTA: Por que não filmou
simplesmente com um filme menos sensível em preto
e branco?
BRIESEWITZ: Gosto das características
de imagem do filme 7218, mas, basicamente, a decisão
se deveu a que não contava com o tempo para re-iluminar
os sets para a filmagem adicional em preto e branco.
Era metragem adicional que queríamos tomar depois
de haver filmado a cena inteira em cores. Com o filme
7218 verdadeiramente sei o que obtenho, e como se sustenta
nas áreas escuras. Sabia que poderia fazer tudo
o que queria para afetar o look do filme posteriormente
na pós-produção.
PERGUNTA: Que mais a Sra. aprendeu
ao filmar documentários?
BRIESEWITZ: Sempre tive a convicção
de obter a tomada na primeira tentativa. Penso que nos
proporciona algo fresco que não obtemos na sexta
ou sétima tomada, entretanto às vezes
não funciona desta maneira. Alguns atores necessitam
ensaiar e a maioria dos diretores gosta da multiplicidade
de tomadas mais além, de ter que estar pronto
e fazê-lo bem na primeira tomada. Gosto de dar
aos diretores a opção de faze-la perfeito
na primeira tomada. É simplesmente uma sensação
de realidade diferente quando algo é experimentado
por primeira vez. Nos documentários não
existe a segunda tomada.
PERGUNTA: Pasó de The
Wire ao filmar o piloto para LAX.
BRIESEWITZ: Joe e Anthony Russo, que
produziram e dirigiram LAX, me pediram para
filmar o piloto somente antes da terceira temporada
de The Wire. Para mim foi muito orgulho formar
parte deste show surpreendente, entretanto, me dei conta
de que necessitava esforçar-me ao máximo
para não ficar rotulada como alguém que
filma uma série de televisão com um look
cru e vulgar. A verdade é que The Wire
foi cuidadosamente iluminada. O ambiente era cru, mas
trabalhamos muito duro para ser muito criativos com
a iluminação, assegurando-nos sempre de
colocar eye lights em forma adicional. Sabia que LAX
teria que contar com um look alegre e brilhante e com
uma atriz que tinha que parecer bela. Ao fazer LAX
tive a oportunidade de trabalhar com um look completamente
diferente para assegurar-me que não iria ficar
presa aos shows de TV vulgares mesmo quando ficava contente
em filmá-los. Mais tarde, contatei Jake Kasdan
quando este dirigia um filme independente chamado The
TV Set. O roteiro era excelente e o look era brilhante
junto com um grande elenco, que incluía David
Duchovny e Sigourney Weaver. Jake me explicou as razões
porque havia querido trabalhar comigo e foi, basicamente,
pelo que viu e gostou de meu trabalho em The Wire.
Penso que foi divertido que me escolhesse para filmar
uma comédia baseada em meu trabalho sobre um
drama sombrio e real. Percebi que ficar presa não
foi tanto um problema como havia pensado que poderia
ser.
PERGUNTA: LAX foi o projeto
que a trouxe de volta a Los Angeles?
BRIESEWITZ: Já havia planejado
voltar a Los Angeles, entretanto, pensei que teria sido
melhor voltar por um trabalho que me fizesse regressar
às pistas. Era un tipo de show totalmente diferente.
Iluminamos um aeroporto pequeno ao dia usando varias
luzes de 18Ks e lidando com estruturas de iluminação
gigantes que meu gaffer de muito tempo, Jenna Perkins,
e a equipe, manejaram extremamente bem. Estava muito
orgulhosa do look que criamos. Foi uma boa experiência.
PERGUNTA: Sabemos que filmou o par
de pilotos para a televisão, Sixty Minute
Man e What About Brian?, e, em seguida,
filmou um filme de televisão para a HBO chamado
Life Support que recebeu uma recepção
sensacional no Sundance. Conte-nos essa experiência.
BRIESEWITZ: Life Support foi dirigido
por Nelson George com Queen Latifah no papel principal.
Filmamos este filme no formato Super 16, em Nova York,
onde a maioria das tomadas fora no local. Era uma história
pessoal do diretor, tornando-a em uma maravilhosa experiência
devido a que contava com um tema muito importante. Depois
disso, filmei John from Cincinnati, outro piloto
da HBO. Foi uma experiência de trabalho alucinante,
criada e produzida por David Milch e dirigida por Mark
Tinker. Eles são uma equipe surpreendente. Quando
tive minha primeira reunião com eles, David Milch
fez todo tipo de referências a arte e a literatura.
Foi uma reunião incrivelmente inspiradora.
PERGUNTA: Dê-nos um exemplo
de como foi trabalhar com eles?
BRIESEWITZ: Cobrimos a produção
ao final da tarde sabendo que contávamos com
uma cena realmente grande para filmar na manhã
seguinte com 8 ou 10 personagens. David Milch queria
conversar com os atores para ensaiar com eles e contar-lhes
de que se tratava a cena. Foi um tipo de monólogo
abstrato de quase duas horas, onde todos, incluindo
minha equipe, permaneceu e escutou até a última
palavra. Depois de ter terminado, meu gaffer, Paul McIlvaine,
se aproximou de mim e me disse que este havia sido um
dos momentos mais inspiradores de toda a sua carreira.
Estávamos fascinados e determinamos plasmar essa
visão posteriormente.
PERGUNTA: Seu segundo filme com Jake
Kasdan foi Walk Hard.
BRIESEWITZ: Esse foi meu primeiro filme
de estúdio. Senti-me muito agradecida que Jake
tivera fé em mim para fazer o filme. Como disse
antes, sempre necessitamos de uma pessoa que esteja
disposta a entregar a filmagem de algo maior para podermos
progredir. O desenho de produção feito
por Jefferson Sage foi absolutamente maravilhoso. Os
sets eram reproduções espectaculares de
diferentes períodos, indo desde os anos 50 até
o presente. Tínhamos cenas com até 500
extras vestidos segundo a época e que incluíam
até detalhes precisos de seus pendentes e arames.
Todos os extras se pareciam e atuavam como se tivessem
saído diretamente dos anos 50. Nos sentíamos
como se estivéssemos vivendo no período
em que estávamos filmando. Aproveitei muito todos
os detalhes que nos proporcionaram para trabalhar. A
riqueza dos sets e o vestuário foram simplesmente
incríveis. Senti uma grande responsabilidade
por retratar fielmente o trabalho de cada um.
PERGUNTA: A Sra. Ainda está
no início de sua carreira, mas já trabalhou
em muitos e diversos projetos, incluindo documentários,
séries de televisão, filmes de TV, filmes
independentes, e agora um filme de estúdio. Como
se sente ao contar com uma experiência tão
diversa?
BRIESEWITZ: Todos estes trabalhos significam
desafios diferentes. Misturá-los s é o
que nos mantém envolvidos e com paixão
sobre o que fazemos. Se nos fixarmos a um ou outro por,
muito tempo, sua criatividade, de certa forma, se esvazia.
Não me importa muito com quanto orçamento
conta o projeto, ou com que formato o diretor que filmar.
Com certeza, todos apontamos para um orçamento
grande de estúdio e tendo tido a experiência
recente de meu primeiro filme, devo admitir que si,
e que é absolutamente assombroso. Sentimos-nos
como uma criança em uma confeitaria e as ilusões
que se criam podem fazer-nos regressar no tempo. É
maravilhoso. Para mim, praticamente, o mais importante
é sempre a história, a razão de
porque algo é feito. Posso empenhar meu coração
todo se acredito no projeto e as pessoas que estão
por trás dele.
PERGUNTA: Está é uma
pergunta filosófica.Seja visto em uma tela de
televisão ou de cinema, que papel a Sra. acha
que desempenha o filme na sociedade? É mais que
apenas diversão?
BRIESEWITZ: Esta é uma boa pergunta.
Penso que devemos escolher nossos projetos de maneira
sabia e tratar de seleciona-los por alguma razão
que justifique nossa presença. Tenho tido momentos
no set onde penso que o filme foi, adequadamente, a
coisa mais importante de minha vida, e depois alguém
me diria que é somente um filme. Ainda penso
que cada tomada deve ser a melhor possível. Se
deixo de me preocupar com o que filmo, mesmo quando
for de tomada a tomada – que é a maneira
em que trabalhamos – em que momento deixo de me
preocupar? Uma cena inteira? O filme inteiro?
Tive uma conversa com meu irmão. Ele é
um cientista que tem dedicado toda a sua vida fazendo
pesquisas sobre o câncer. Ele trabalha sete dias
por semana freqüentemente. Disse-lhe, veja o que
está fazendo. Você está literalmente
salvando vidas. Então, o que estou fazendo? Estou
divertindo as pessoas? Meu irmão me respondeu
comentando-me que depois de estar um longo dia no laboratório,
ele, às vezes, vai a uma sala de cinema para
ver um grande filme, por algumas horas, ou vê
um filme de televisão para esquecer-se das pressões
de seu trabalho. Disse-me, que poder fazer isto significa
muito para as pessoas como ele. Foi importante para
mim escutar isso.
PERGUNTA: Existem filmes que também
nos ensinam lições importantes?
BRIESEWITZ: Quando estava crescendo,
assistia muito à televisão, incluindo
grandes documentários de todas as partes do mundo.
Sentia-me como se estivesse vendo o mundo. Sentia-me
estimulada a aprender sobre outras culturas. Os filmes
podem ser incrivelmente poderosos, educativas, inspiradores
e também sai uma linguagem universal que fala
às pessoas em todo o mundo.
PERGUNTA: Filmar um filme é
um grande compromisso de tempo, energia e emoções.
Que é o que o motiva a se dedicar a consumar
um filme?
BRIESEWITZ: Gosto de desafiar a mim
mesma. Sempre me é inspirador fazer coisas novas,
ir a novos lugares, explorar novos ambientes e impulsionar-me
a mim mesma a encontrar as imagens mais poderosas.
PERGUNTA: Agora que sua carreira
está ganhando força dentro dos filmes
narrativos, a Sra. tomaria algum tempo para filmar um
documentário se tivesse algo que a atraísse?
BRIESEWITZ: Penso que sempre devemos
considerar-nos como documentaristas.
PERGUNTA:O que a Sra. dirias aos
jovens realizadores quando perguntassem sobre o secreto
para o sucesso?
BRIESEWITZ: Não existem segredos.
Temos que escolher os projetos nos quais acreditamos,
por isto não deve perguntar-se a você mesmo
porque esta fazendo isto, especialmente quando as coisas
se tornam difíceis. Também tem que estar
preparados e desejosos de trabalhar duro. Também
é importante trabalhar em filmes onde você
e o diretor compartilham uma visão comum. A verdade
é que você pode fazer um grande trabalho
em um filme ruim e ninguém verá o filme.
Se nã gostar do roteiro, não faça.
Não sou da idéia de filmar qualquer coisa,
somente por filmar. Muito probavelmente se você
não gosta do roteiro, não apreciará
muito o trabalho em conjunto com o diretor especialmente
se f or ele quem escreveu.
Lembro-me de dizer ao meu gaffer, em um programa de
televisão, que estava aborrecida porque não
tínhamos feito algo em uma tomada particular.
Ele tratava de ser amável e disse que foi somente
uma tomada dentro de uma série de TV. Não
concordei com ele. Luto por cada tomada a cada dia e
não me importo quanto cansada esteja. Se me despreocupar,
estarei praticamente aposentada. Se perceber que está
desinteressada, então você tem que mudar
algo. Digo aos jovens realizadores que também
a sorte desempenha um papel importante. Tive a sorte
de que Brad Anderson tivesse fé suficiente em
mim para dar-me a oportunidade de filmar Next Stop
Wonderland. Também tive a sorte incrível
de que Robert Colesberry me desse a oportunidade de
filmar The Wire. Ninguém pode dizer-lhe
o que fazer adiante de você. Não pude ter
previsto que trabalhar com Jake Kasdan em The TV
Set teria me conduzido á oportunidade de
filmar Walk Hard com ele. Tive muita sorte.
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