Entrevistas OnFilm

Dariusz Wolski, ASC
Foto: D. Kirkland |
“Nasci e cresci em Varsóvia, capital da
Polônia, fui educado na escola nacional de cinema
em Lodz. Depois de estudar cinema por três anos,
parti para Nova York onde trabalhei em documentários
e em filmes de baixo orçamento. Cheguei a Los
Angeles e me dediquei a filmar vídeos musicais
em uma época onde havia espaço para a
experimentação e a criatividade. Não
acredito na existência de um look de corte americano
ou europeu. O cinema é uma linguagem universal.
Os filmes devem intrigar você, deixá-lo
feliz, pensativo, triste ou talvez atemorizá-lo.
Um grande filme também deve fazê-lo refletir.
Um trabalho em equipe de sucesso depende da dinâmica
com o diretor, a história e as atuações
e também quando tratar de planejar tudo usualmente
você trabalhará arduamente. Nada é
invariável. Você tem que confiar em seus
instintos pelo fato de que cada projeto é diferente.
Escutamos as pessoas dizer, “Este não se
parece com o outro filme que você fez e que realmente
gostei mito'. Minha resposta é que esse foi um
filme diferente”
Dariusz Wolski, ASC conta entre seus créditos
com filmes como Romeo is Bleeding, The Crow, Crimson
Tide, The Fan, Dark City, A Perfect Murder, e a
trilogía Pirates of the Caribbean, além
de muitos vídeos musicais de moda e comerciais.
[Todos estes filmes foram filmados em filme cinematográfico/película
Kodak.]
Uma Conversa com Dariusz Wolski,
ASC por Bob Fisher
PERGUNTA: Onde o
Sr. nasceu e foi criado?
WOLSKI: Nasci e cresci
em Varsóvia, capital de Polônia e fui à
escola nacional de cinema em Lodz.
PERGUNTA: Por que
o Sr. escolheu estudar na escola de cinema?
WOLSKI: Minha irmã é
pintora e suponho que ela influenciou para que eu me
interessasse pelas as artes visuais. A conversão
em um cineasta parecia algo inalcançável,
o que me levou a aceitar o desafio.
PERGUNTA: O Sr. era um fã
de cinema?
WOLSKI: Como todo menino de 12 anos,
neste tempo eu gostava de filmes do Velho Oeste. À
medida que fui crescendo, comecei a buscar algo mais
artístico. Meu interesse se voltou para os filmes
europeus sérios feitos por Fellini, Bergman e
Antonioni.
Posteriormente, descobri o cinema americano dos anos
70. Existiam filmes revolucionários que foram
uma grande fonte de inspiração. Por este
tempo, eu estava na escola e havia desenvolvido um gosto
real pelos filmes de Haskell Wexler, Vilmos Zsigmond
e outros americanos deste período. Ensinarão
muita teoria na escola, mas tive sorte já que
Witold Sobocinski, um grande diretor de fotografia polonês,
nos deu algumas aulas. Uma de suas aulas foi um workshop,
que adaptou para nós com uma complexa tomada
que ele iluminou e nós filmamos. Em sua aula
seguinte, vimos alguns filmes seus sem som. Ele comentou
cada tomada.
PERGUNTA: Parece que isto deixou
uma profunda impressão?
WOLSKI: Uns 20 anos depois, fui convidado
para um workshop similar no Instituto Americano de Cinema
(AFI) e me dei conta que estava tratando de imitar o
que havíamos feito nesta oportunidade já
que ele deixou uma profunda impressão.
PERGUNTA: Quando e por que o Sr.
decidiu vir aos Estados Unidos?
WOLSKI: Depois de três anos de
escola em Lodz, senti que necessitava de um lugar mais
cosmopolita e internacional. Tinha esta fantasia de
que a indústria do cinema nos Estados Unidos
era como Paris para os pintores no início do
século 20, ou Florença no final do Renascimento.
Cheguei à Cidade de Nova York em 1979.
PERGUNTA: O Sr. Já conhecia
alguém em Nova York?
WOLSKI: Conheci algumas poucas pessoas
que me disseram que eu estava fora de mim quando lhes
contei o que queria fazer, entretanto, pensei que poderia
obter algum tipo de trabalho. Conheci uma pessoa que
estava estudando na Universidade de Columbia e resolvi
ficar por lá, filmei alguns filmes estudantis
e encontrei trabalho como assistente de produção
e de câmera.
PERGUNTA: Com quem o Sr. estava trabalhando?
WOLSKI: Tive a sorte de que uma pessoa
me apresentasse ao pessoal da BBC. Trabalhei em vários
documentários para eles como assistente. Foi
uma grande experiência de aprendizagem que, basicamente,
me ensinou sobre a cultura do mundo do Western. Trabalhei
em documentários onde se destacavam políticos,
cientistas, escritores e atores. Foi uma grande experiência
de aprendizagem sobre o novo mundo em que eu havia escolhido
viver. Profissionalmente, o trabalho era bastante básico
e simples. Não era cinematografia criativa.
PERGUNTA: O Sr. Trabalhou com algum
diretor de fotografia em especial ou com diretores diferentes?
WOLSKI: Trabalhei como assistente e
gaffer em documentários e em filmes de orçamento
muito baixo com várias pessoas diferentes. Cada
vez que havia uma oportunidade de filmar algo eu agarrava.
A maioria das vezes era por muito pouco dinheiro ou
por nada. Uma vez fui operador em um filme de baixo
orçamento na segunda parte do filme. Recordo
ter pensado, agora sou um diretor de fotografia, entretanto,
ninguém assistiu o filme. Depois disso, voltei
a trabalhar como assistente. Todos têm a mesma
história para contar. Se você quer ser
um homem da cinematografia você tem que filmar
tudo o que você puder quando estiver começando.
Eu havia filmado um documentário na Polônia.
Mostrei o documentário aos irmãos Maysles
quando cheguei em Nova York. Albert não gostou
porque era muito estilizado. Tomei isto como um comprimento
porque eles acreditavam completamente no estilo cinema
verité.
PERGUNTA: Como o Sr. conheceu Albert
Maysles?
WOLSKI: Um de meus professores na escola
de cinema na Polônia, Andrzej Brzozowski, conheceu
os irmãos Maysles quando viajavam por motivos
de trabalho na Europa Oriental em um de seus primeiros
documentários. Ele aconselhou como fazer documentários.
Ele também exerce um uma forte influência
sobre mim. Lembro que fiz um brilhante documentário
sobre Auschwitz. O filme começa com uma cena
em um campo aberto onde um grupo de pessoas estava medindo
um quarto de acre e dividindo em metros quadrados. Estavam
cavando. Era uma escavação científica
de tipo arqueológica. Lentamente, você
percebe que estavam tirando peças das vítimas
do holocausto, era uma idéia visual e metaforicamente
forte.
PERGUNTA: Como se abriram as portas
finalmente e o Sr. obteve uma oportunidade real para
filmar?
WOLSKI: Tive muita sorte. Meu amigo
Martin Shaer, que ainda é meu operador, e eu,
trabalhávamos em um filme de orçamento
muito baixo no Death Valley, California. Eu era assistente
de câmera. Ele me convenceu a mudar para Los Angeles
em 1986, exatamente quando a MTV começava a adquirir
popularidade. Filmei dois vídeos de música
com uma banda que não era muito conhecida, mas
eram para a Virgin Records, e as imagens eram muito
boas. Uma pessoa da Virginia gostou de meu trabalho
e mostrou os vídeos para outras pessoas. Repentinamente,
me encontrei filmando uma grande quantidade de vídeos
de música. Cheguei a industria do vídeo
musical no momento certo. Havia espaço para experimentar
e criar. Filmei vídeos que me conduziram a gravar
comerciais. Havia alguns diretores muito bons trabalhando
em vídeos e comerciais
PERGUNTA: Quando o Sr. filmou seu
primeiro filme?
WOLSKI: Meu primeiro filme foi feito
em 1991 para a televisão a cabo. Foi, de certa
forma, um desastre. Basei-me em meus vídeos de
música. Foi um filme horrível de orçamento
muito baixo onde atuava John Travolta. Fui despedido
depois de duas semanas. Foi uma maneira dura de aprender
sobre Hollywood.
PERGUNTA: Não são poucos
os diretores de fotografia que nos têm contado
sobre suas experiências similares. Bem vindo ao
clube. O Sr. trabalhou com Gore Verbinski fazendo vídeos
de música?
WOLSKI: Não. Conheço
Gore há muito tempo. Ficamos amigos quando eu
filmava meus primeiros vídeos de música
e ele estava trabalhando na produção.
Depois ele me chamou para fazer seu primeiro filme,
mas eu estava terminando um filme difícil. Finalmente,
nos encontramos em The Mexican (2001).
PERGUNTA: O Sr. conta com aproximadamente
meia dezena de filmes desde este tempo, remontando a
Nightfall em 1988 e uns poucos filmes perfil bastante
alto como The Crow and Crimson Tide.
WOLSKI: Fiz uns poucos filmes (The
Crimson Tide and The Fan) e alguns comerciais com
Tony Scott. As intenções originais para
The Mexican foram de filmar algo natural e simples.
Gore mencionou Pirates of the Caribbean pela
primeira vez quando filmávamos The Mexican.
Eu havia trabalhado previamente com Jerry Bruckheimer,
um dos produtores em vários filmes, por isso
apostaram em mim para filmar um grande filme.
PERGUNTA: O Sr sabia nesta época
que este seria um filme de franchise com sequências?
WOLSKI: Não. Parecia mais que
teríamos que lutar contra o demônio. Cada
filme de piratas durante os 15 ou 20 anos anteriores
havia custado uma fortuna e havia falhado. Aceitamos
o desafio e teríamos que fazer nossos melhores
esforços para obter um grande filme. A seleção
foi maravilhosa. Havia muita preocupação
por parte do Estúdio sobre o controle dos gastos
porque iríamos fazer um filme com barcos na água.
Acho que ninguém contava com maiores expectativas.
Somente queríamos encontrar um estilo visual
(look) que fosse apropriado para a história.
PERGUNTA: Foi um sucesso fenomenal
e logo depois o Sr. fez a segunda parte. Foi mais fácil?
WOLSKI: Do ponto de vista de um produtor
provavelmente é mais fácil já que
se você esta continuando um sucesso, conta com
um público garantido, ao menos pelas primeiras
duas semanas. Do ponto de vista do diretor e do diretor
de fotografia, você terá que lidar em como
ultrapassar o filme original e faze-lo mais interessante.
Consequentemente, a trama da história se tornará
mais complicada, as seqüências de ação
serão maiores, e tanto os lugares como os efeitos
especiais serão muito mais complexos.
PERGUNTA: Com quanto tempo o Sr.
contou para a pré-produção na primeira
saga?
WOLSKI: Foi uma pré-produção
bastante longa, de cerca de dois meses. Nós estávamos
preparando realmente para duas seqüências,
embora o roteiro para o terceiro filme não estivesse
completamente pronto.
PERGUNTA: Gore Verbinski descreveu
sua visão para as seqüências?
WOLSKI: Teríamos basicamente
um fundo do primeiro filme com os mesmos sets, atores
e desafios. Simplesmente, “maquiamos” um
pouco. Queríamos que os filmes tivessem uma estética
mais parecida possível. Foi a primeira vez em
minha vida que eu poderia voltar aos lugares que conhecia
para filmar de novo. Era reconfortante saber exatamente
onde o sol nasce e se põe, conhecer o padrão
do clima e inclusive poder antecipar a aparição
das nuvens.
PERGUNTA: Em relação
ao primeiro filme, o que afetou a escolha do formato?
WOLSKI: Gore gosta de empregar tomadas
com lente grande angular próximo dos rostos das
pessoas. Ele usaria lentes de 27mm nos close-ups e tomadas
master. As lentes anamórficas não enfocam
tão próximas como as lentes esféricas,
por isso você tem que usar dioptría que
não proporciona a mesma sensação
de infinitude. Por isso houve a decisão de filmar
no formato Super 35 mm usando lentes esféricas.
PERGUNTA: Existiram muitos efeitos
visuais ou especiais nas sagas?
WOLSKI: Existiram infinitos efeitos
visuais, mas, ao mesmo tempo, tratamos de manter um
aspecto real. Filmamos em lugares de St. Vincent e na
selva da Dominica, uma pequena ilha no sul do Caribe,
com praias negras e com uma selva tropical incrivelmente
exuberante.
PERGUNTA: E como foram as tomadas
sobre a cobertura dos barcos no mar?
WOLSKI: Muitas destas tomadas foram
feitas em botes dentro do Porto nas Bahamas. Tínhamos
barcaças de 200 pés com forma de T, por
isso podíamos filmar a partir de qualquer ângulo.
PERGUNTA: A história ocorre
antes da existência da luz elétrica. Como
o Sr. lidou com isso?
WOLSKI: À noite, normalmente
usávamos luz de vela. Usamos um dimmer para criar
um efeito de piscar. Os cabos das luzes eram de menos
de uma polegada de espessura, por isso podíamos
colocá-los nos tetos sob os sets de botes. Também
escondíamos os cabos embaixo das vigas. Isto
nos permitiu criar luz superior muito suave sem ter
que tirar o teto. Gosto de trabalhar desta maneira porque
é possível ver o teto se quiser. Também
demos aos atores a liberdade de atuar as cenas enquanto
as se movimentavam em torno dos sets.
PERGUNTA: Haviam outras fontes de
luz como a lua ou o sol?
WOLSKI: A trama exigia que o público
não visse o céu, por isto criamos uma
luz da lua suave e invisível empregando um novo
tipo de luz de globo proveniente de Paris, França.
PERGUNTA: Os diretores de fotografia
sempre caracterizam a luz da lua na cor azul
WOLSKI: Nunca acreditei nisto. Acho
que a luz da lua é monocromática. A hora
mágica é naturalmente azul e, quando também
contamos com luzes práticas, era mais quente.
Agora, com a tecnologia de intermediação
digital podemos obter várias gradações
diferentes de azul. Nossa luz na noite era um pouco
azulada, com um toque de verde para dar-lhe um aspecto
mais monocromático.
PERGUNTA: Saber que poderia contar
com um sistema de intermediação digital
afetou sua maneira de filmar?
WOLSKI: A resposta mais simples é
que se não tivesse havido a intermediação
digital, nunca eu teria podido usar completamente os
balões HMI para as tomadas noturnas e fazê-las
fixar com a luz de vela quando as temperaturas de cor
forem drasticamente diferentes. Mantivemos as luzes
de vela suplementares semi-quentes nos rostos. A resposta
à sua pregunta é que pudemos misturar
as cores de uma maneira mais extrema. Se não
tivéssemos contado com a intermediação
digital, teríamos que ter filmado a hora mágica
com a primeira luz da manhã. Não teríamos
podido filmar entre as 11:00 horas da manhã e
as 15:00 horas, durante junho na Dominica, devido à
que a luz do sol surge diretamente de cima e contar
com uma coberta de nuvens é imprevisível.
PERGUNTA: O público é
testemunha de forma subjetiva das coisas que ocorrem
ou são participantes vendo as imagens do ponto
de vista objetivo?
WOLSKI: Ambas. Um bom diretor pode
manter-se alterando entre um ponto objetivo e um subjetivo.
PERGUNTA: Existiram alguns casos
de sorte? Coisas que o Sr. não havia planejado?
WOLSKI: Sempre existem casos de sorte.
Conrad Hall era a pessoa que sempre me lembro que falava
muito dos casos de sorte. O tempo pode ser um acidente
de sorte.
PERGUNTA: Como foi a filmagem no
mar?
WOLSKI: Quando estávamos filmando
no mar, pensamos em usar câmeras com cabo para
fazer grandes tomadas de seguimento sobre os botes que
eram altos e grandes. O problema com isto é tinha
tomado muito tempo instalar tudo para uma ou duas tomadas.
Me ocorreu a idéia de empregar uma grua (ou guindaste)
industrial de 90 pés montada na barcaça.
Também construímos uma plataforma auto-nivelante
e pusemos um Technocrane de 30 pés em cima dela.
PERGUNTA: O Sr. acredita que os filmes
podem e devem ser mais que puro entretenimento? Podem
também ampliar nossa percepção
do mundo, incluindo a natureza humana?
WOLSKI: Não conheço uma
simples definição para entretenimento,
mas acredito que os filmes devem comover a pessoa de
certa forma. Devem fazer você esquecer a realidade
temporariamente e comovê-lo emocionalmente. Devem
fazê-lo feliz, pensativo, triste o talvez assusta-lo.
Um grande filme também deve fazê-lo refletir.
PERGUNTA: Existe algum outro cineasta
que exerceu alguma influência sobre seu pensamento?
WOLSKI: Fellini é um, junto
de Kurasawa e Francis Ford Coppola, cujos filmes absolutamente
adoro. Cresci com seus filmes. Ridley Scott é
outro. Todos são artistas que entendem que os
filmes são um meio visual – eles ajudaram
a definir uma época de ouro do cinema. Meu verdadeiro
ídolo em termos de iluminação e
de filosofia sobre o cinema era Conrad Hall. Ele realmente
acreditava na espontaneidade. Quando cheguei aos Estados
Unidos, falava-se muito do look europeu, mas Conrad
Hall, Gordon Willis e outros diretores de fotografia
estavam criando filmes com um aspecto natural. Decidi
que não existia tal coisa de look americano ou
europeu. O cinema é universal. Você observa
que as idéias provêem de todas as partes.
Uma tomada será uma grande toma não importando
onde seja feita. Os filmes americanos concedem a maior
atenção porque todo o mundo os vêem.
Mas, também existe um grande trabalho realizado
no cinema francês e coisas surpreendentes estão
ocorrendo em outros lugares.
PERGUNTA: Que o Sr. fez para a continuação
de uma missão extraordinária que é
filmar 2 sequências de um sucesso como Pirates
of the Caribbean?
WOLSKI: A resposta simples é
que eu gostaria de tentar tudo – isto pode parecer
antiquado, mas eu gostaria de fazer alguns filmes menores,
onde você possa expressar idéias mais profundas
com sua fotografia – embora eu não saiba
se o profundo está em voga – isto pode
ser um problema.
PERGUNTA: O Sr. tem estudantes de
cinema e outros cineastas jovens pedindo conselhos.O
que os Sr. diz?
WOLSKI: Digo-lhes que não vai
ser fácil, mas vejam o handicap que tenho, chegar
na América, começar do zero. Digo-lhes
que têm que trabalhar na maior quantidade de filmes
de baixo orçamento que for possível. Duvidarão,
mas têm que continuar acreditando.
PERGUNTA: Uma das coisas interessantes
de ser um diretor de fotografia é que deve trabalhar
em um processo muito colaborativo. O Sr. tem que trabalhar
com tanta gente diferente, incluindo diretores, desenhistas
de produção, atores, produtores, sua equipo
de pessoal e assim sucessivamente.
WOLSKI: Um trabalho em equipe de sucesso
dependerá da dinâmica do filme –
se você trabalhar em um bom projeto com gente
talentosa, a colaboração será mais
fácil – todos têm um ego, mas todos
são pessoas muito criativas, por isso você
contas com uma linguagem em comum. Começa com
o roteiro (script), mas as probabilidades são
de que constantemente seja reescrito, por isto por mais
que você trate de calcular e planejar tudo, especialmente
em um filme grande, usualmente trabalhará com
muita pressa. Seus desenhos de como você vai filmar
baseado no roteiro (script), os sets, a cena, as conversas
com o diretor, e depois alteram o diálogo e decidem
que um personagem deve entrar em cena por porta em vez
desta outra Você está criando um ambiente
para o diretor e os atores, mas nada jamais está
gravado numa pedra, e se você pensar você
estará se preparando para uma falha.
PERGUNTA: Por isso, você sempre
tem que deixar espaço para a improvisação.
WOLSKI: Com toda a certeza. Gore (Verbinski)
pré-visualiza os storyboards usando a última
tecnologia, porque você tem que fornecer informações
para tantos departamentos – produção
e desenhistas de vestuário, o pessoal de efeitos
visuais, o diretor de fotografia e os atores –
entretanto, você tem que entender que os storyboards
são somente formas vagas que podem ser alteradas
em um minuto quando você assiste ao ensaio ou
quando alguém chega com uma idéia e improvisa.
PERGUNTA: Normalmente, o Sr. ilumina
os rostos e os espaços?
WOLSKI: Não é tão
simples. Você estará iluminando rostos
e espaços. É muito possível que
existam muitas situações e, freqüentemente,
você estará iluminando para duas ou três
câmeras, por isto você iluminará
espaços, mas também os rostos, e o ator
poderá improvisar em certas ocasiões.
PERGUNTA: Qual é a relação
típica entre atores, atrizes e o diretor de fotografia?
Isto tudo esta dentro do âmbito do diretor?
WOLSKI: Você trabalha para o
diretor, mas eles usualmente se envolvem com a história
e as atuações, por isto muito freqüentemente
os atores olham para os operadores de câmera e
os diretores de fotografia somente para ver suas expressões
em seus rostos. Os grandes atores estão seguros
com eles mesmos, mas eles gostam desta confiança.
PERGUNTA: Seu grupo inclui a sua
equipe de pessoal, com um ou mais operadores de câmera
e assistentes, carregadores, gaffers e grips. Como o
Sr. se comunica com todos para que saibam o que necessita
deles? È tudo verbal?
WOLSKI: Você tem que encontrar
gente especializada e talentosa que estejam em sintonia
com o que você quer fazer e que contribuam com
suas idéias. Meu gafffer está constantemente
fornecendo idéias para a iluminação
e o mesmo ocorre com o departamento de grip - e sempre
estou olhando o rosto de meu operador de câmera.
Ele não precisa dizer-me se ele não gosta
de alguma coisa.
PERGUNTA: Que papel desempenha a
intuição?
WOLSKI: Acredito na intuição.
Você tem que confiar em seus instintos. Cada projeto
é diferente, por isto você não pode
fazer as coisas da mesma maneira que você fez
no filme anterior. Ouvi pessoas dizerem que este filme
não tem o mesmo aspecto (look) que do outro filme
que você fez e que gostei muito. Minha resposta,
em geral, é que isto foi há sete anos
e este é um filme diferente.
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