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Novos Cineastas



Conselhos de um Profissional:
Rene Ohashi, ASC, CSC

Rene Ohashi, ASC, CSC ganhou um Prêmio ASC, 11 Prêmios Gemini  e 10 Prêmios CSC, junto com múltiplas indicações. Entre seus créditos estão incluídos Anne of Green Gables, The Arrow, The Crossing, They, Highwaymen, Saint Ralph, Kidnapped (cinco episódios), e Jesse Stone: Sea Change. Ohashi cresceu em Toronto. Desde pequeno se interessou pela fotografia tradicional e aprendeu sobre as câmeras e a edição ou montagem de filmes ajudando um vizinho que filmava documentários para a televisão, incluindo partidas de hockey para a CBC (Canadian Broadcasting Corporation). Matriculou-se na York University e filmou dezenas de filmes estudantis enquanto esteve lá. Depois de se formar comprou uma câmera Aaton de 16 mm e filmou filmes educativos, documentários, e filmes para novos shows de revistas. Eventualmente, pude fazer a transição para a produção de cinema narrativo.

Ohashi
Rene Ohashi, ASC, CSC
Foto: D. Kirkland

PERGUNTA: Como o Sr. conseguiu sua primeira oportunidade para trabalhar em filmes dramáticos?
OHASHI:
Gostaria de explicar que na metade da década de setenta, no Canadá, não existia uma indústria de cinema dramático independente. Filmei meus primeiros filmes para a televisão com meus companheiros da escola de cinema. Trabalhei em alguns filmes infantis que ganharam prêmios. Isso me levou a ter a oportunidade de filmar filmes dramáticos para a televisão. Depois que isso ocorreu, um filme levou a outro, devido a que um diretor ou produtor gostou do que viram.

PERGUNTA: O enfoque para filmar filmes de cinema é diferente do foco da televisão?
OHASHI:
Penso que uma das diferenças maiores é que, geralmente, dispomos de mais tempo e recursos para preparar e filmar filmes de cinema. De qualquer maneira, tudo reside no trabalho em conjunto com o diretor e o resto da equipe de sobre como vamos narrar a história e de como conseguir realizar o filme dentro do número estabelecido de dias. É um processo de descobrimento. Seja um filme para televisão ou cinema, parte de minha responsabilidade como diretor de fotografia é compreender a visão do diretor e ajudá-lo a levar isso para a tela com os recursos e o tempo disponíveis.

PERGUNTA: O Sr. usou a palavra em conjunto novamente.
OHASHI:
Para mim, a cinematografia é uma maneira de ver as coisas. É uma linguagem e uma forma de arte visual interpretativa; uma apresentação das imagens e idéias que provêem da palavra escrita; um roteiro do filme dramático. Não estamos somente narrando histórias. Estamos tratando de provocar respostas emocionais do público. A execução desta forma de arte pode ser muito complexa, e ainda assim a mensagem poderá ser eloqüentemente simples. O papel do diretor de fotografia, trabalhando conjuntamente com o diretor, é de ligar todas as facetas da produção em conjunto e convertê-las em uma história unificada e única. O processo colaborativo é muito mais que um diretor de fotografia e um diretor de atores trabalhando em conjunto. Alguém escreve o roteiro, um produtor acredita nele, existe um elenco, desenhistas de vestuário e produção, sua equipe, seus equipamentos, etc.

PERGUNTA: Se fala muito hoje em dia sobre como os avanços na tecnologia afetam a arte.
OHASHI:
A produção cinematográfica é uma forma de arte constantemente em evolução e que continuamente se redefine por si mesma. Cada aspecto da produção cinematográfica está se alterando constantemente. Como diretores de fotografia, estamos continuamente descobrindo maneiras engenhosas de expressão através das imagens. Veja a história da cinematografia. Quem poderia ter sonhado que estaríamos fazendo filmes da forma como são feitos hoje em dia? Temos uma palheta diferente e novas formas de poder nos expressar.

PERGUNTA: O Sr. se imagina como se nunca tivesse parado de ir à escola?
OHASHI:
Exatamente. Não existem limites para o que podemos aprender e imaginar. No começo de minha carreira, viajei por todo o Canadá para uma série de programas sobre artistas. Foi uma experiência incrível conhecer estes artistas em seus próprios estúdios. Eram principalmente pintores e escultores. Cada um deles era único em como se expressavam como artistas. Creio que a mesma coisa vale para os diretores de fotografia. Todos os filmes que he filmei têm aspectos que refletem meus instintos, minha experiência e como percebo o mundo.

PERGUNTA: O que o Sr. diria aos estudantes que pedem por seus conselhos?
OHASHI:
Diria aos estudantes que hoje existe um contexto diferente daquele que havia quando eu estava começando. Quando sai da escola não existia uma verdadeira indústria de cinema independente. Tão pouco havia uma hierarquia real e, por isto, poderia chegar e filmar. Hoje em dia, existe uma grande indústria e um sindicato cinematográfico para as equipes de câmera e os diretores de fotografia. Geralmente, hoje as pessoas novas passam pelo sistema de ir progredindo desde estagiário até primeiro assistente, depois operador de câmera e, finalmente, diretor de fotografia. Digo aos jovens que sou um grande fã das escolas de cinema como um meio para se obter a formação básica e a compreensão da produção de cinema. Terão uma clara vantagem ao se iniciarem no negócio de cinema sobre alguém que não conta com qualquer instrução formal.


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